sexta-feira, 17 de abril de 2015

Inventário Literário - II. O pequeno príncipe - Antoine de Saint-Exupéry, 1943

A LÉON WERTH

Peço perdão às crianças por dedicar este livro a uma pessoa grande. Tenho uma desculpa séria: essa pessoa grande é o mlehor amigo que possuo nomundo. Tenho uma outra desculpa: essa pessoa grande é capaz de compreender todas as coisas, até mesmo os livros de criança. Tenho ainda uma terceira: essa pessoa grande mora na França, e ela tem fome  frio. Ela precisa de consolo. Se todas essas desculpas não bastam, eu dedico então esse livro à criança que essa pessoa grande já foi. Todas as pessoas grandes foram um dia crianças ( mas poucas se lembram disso). Corrijo portanto, a dedicatória:

A LÉON WERTH,
QUANDO ELE ERA PEQUENINO.


Existe dedicatória mais bonita e simples do que essa? Eu nunca vi. E me encantei pelo livro logo pela dedicatória. Sem contar é claro, a capa. E sim, o fato de ser um clássico francês também me impulsionou a lê-lo. Mas não é o fator que pesa mais. Eu já tinha lido várias frases lindas deste livro, sem saber que eram dele. Até que um dia, não lembro exatamente o motivo, resolvi lê-lo. Não é um livro muito grande, então a leitura foi rápida. Mas uma das mais prazerosas que eu já fiz. Do primeiro ao ultimo paragrafo desta obra, tudo me encanta. A simplicidade com que Antoine (se ele permite chamar pelo primeiro nome!) escreve sobre algo tão profundo como a amizade é de me deixar sem tirar os olhos das páginas. Sim, é um livro pra crianças, mas que toca profundamente aos adultos. 

Sou suspeita pra falar qualquer coisa acerca desse livro. Gosto do início ao fim. Das ilustrações, das frases prontas, da delicadeza das composições, da simplicidade da escrita.

Portanto, não tecerei muitos comentários. Me contentarei em reproduzir frases e trecos que falam por si só.

- Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que feliz quando a contempla. Ele pensa: "Minha flor está lá, nalgum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem!   

- É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas! 


A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa.
- Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.
Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos,
os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

-Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante.

Tu não és para mim senão uma pessoa inteiramente igual a cem mil outras pessoas. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...

- Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro.
Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.

Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz.
Quanto mais a hora for chegando,mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então,estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade

É preciso exigir de cada um, o que ele pode dar. A autoridade repousa sobre a razão.

Eis o meu segredo: é muito simples, só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.

- Se já construístes castelos de areia no ar, não te envergonhes deles, constroe agora os alicerces.

- Há vitórias que exaltam, outras que corrompem;
derrotas que matam, outras que DESPERTAM. 

- Feliz é aquele que descobre que a beleza de um deserto é que ele esconde um poço.

A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar.

 - Claro que eu vou te machucar. Claro que você vai me machucar. É claro que vamos machucar uns aos outros. Mas esta é a própria condição de existência. Para se tornar primavera, significa aceitar o risco de inverno. Para tornar-se presença, significa aceitar o risco de ausência.

- As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas,e é cansativo para as crianças estar a toda hora explicando.


 


Para sempre Alice

Inspirado no filme Para sempre Alice (2014), dirigido por Richard Glatzer e Wash Westmoreland.

O filme provocou um furacão em mim. Senti meu coração pulsar forte, como há muito tempo não sentia. O vento forte revirou sentimentos e pensamentos. E eles ainda flutuam pelo ar...

Alice. Bem sucedida, culta, mãe, professora e esposa. Mas humana.... como cada um de nós. E como todo humano, não escapou das mazelas da vida. 50 anos, muito para alguns, mas pouco para o Alzheimer. Ele não se importou... Tomou conta da sua mente e corpo. Mas não da sua alma...

Alice, que dominava a arte de perder, e perder até a própria identidade, descobriu que não importa o quanto a vida nos leve, algo sempre fica. E no final, quando não sabemos sequer quem somos, só nos resta uma coisa: o amor. E todas as pessoas que em em algum momento o tornaram algo real.

É tudo sobre o amor.

 Para Alice restou a a alma. E por isso, não lhe faltou o amor. Porque ao contrário do que pensam, ele não reside no coração, que também pode ser, em algum momento, tirado de nós...
Mas na alma.
Para sempre Alice.
Para sempre amor.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Pra (mim) quem escrevo?

Sempre gostei de blogs, colunas, contos e todo tipo de texto alternativo. Sem regras, que surgem de uma fala cotidiana, da aparência do céu ou da notícia na TV. Hoje mesmo, li alguns textos interessantíssimos e fico admirada com a capacidade de muitos, em se expressar com as palavras. Do seu jeito, com a sua opinião.

E aí, entre um site e outro, pensei: "e o meu blog?". E quando me dei conta, já não sabia o login ou a senha. Algumas trocas de emails com o Sr. Google, e finalmente consegui acessar minhas postagens. E o que encontro? Uma data assustadora: 18 de julho de 2013. Como assim? Quando foi que escrever deixou de ser prioridade? Não sei. E isso me levou a pensar em como as vezes o trabalho, o celular, a cabeça cheia nos afasta do que somos. Sim, porque não sou marionete da vida, não sou dessas escravas da rotina. E se é isso que sou, porque passo tanto tempo fazendo coisas tão banais, que me afastam da minha essência. Não sei.

E entre essas perguntas sem respostas, decidi que a partir de hoje escrevo pra mim. Sim, pra mim e mais ninguém. Entrarei aqui pra contar minha ideias, revisar meu dia, meus pequenos (des)acontecimentos. Não importa a quem agrade. 


Não desejo ser uma blogueira famosa.
Não desejo postagens com milhões de acesso.

Desejo apenas escrever...

E ser escrevista de mim mesma.