quarta-feira, 20 de junho de 2012

...gota que transborda!


E somos todos feito copo d'água. E como tal, somos vazios ao nascer. E a medida que vivemos, nos enchemos. Na exata proporção. Quanto mais intensamente se vive, mais cheios nos tornamos. Mas cheios de que? Cada um escolhe aquilo de que quer ser cheio. Mas o fato é: não há como permanecer vazio. Ainda quem opte por assim permanecer, não o faz. Pois não há quem possa fugir das próprias gotas. Aquelas que nos enchem quando pulamos de alegria, ou quando nos prostamos de tristeza. Gotas que vem do nosso coração. Dos nossos gestos. Dos nossos erros. Aqueles que só nós sabemos que cometemos. Gotas que vem da alma. Que caem uma a uma, e só nós a conhecemos. 
Além dessas, ao longo da vida, gotasem forma de gente nos enchem. E são essas a que eu mais gosto... e ironicamente, as vezes, são também as que eu mais repudio. Porque gente entra sem pedir licença. Te enche e você sequer percebe. Gente traz consigo as suas próprias gotas. E as compartilha com você. Traz alegria, traz aprendizado. Faz de você um copo quase cheio. Mas gente também faz de você um copo quase vazio. Porque da mesma forma que te enchem, te esvaziam. Levam de você gotas repletas de sentimento, levam tudo o que um dia te trouxeram. E estar quase vazio dói. Ninguém nasceu pra se esvaziar... E ninguém deveria fazer isso com o outro.
Mas talvez este seja o processo... Um eterno enche/esvazia. Até que alguém ou você mesmo, tenha uma gota que faça transbordar o copo. E quando transboradamos, nos sentimos mais leves. Só um único problema: nã temos controle sobre aquilo que transborda. Pode ser que as nossas gotas de estimação, aquelas que há tanto tempo guardamos com carinnho e afeição, também sejam levadas. Aquelas que nos fizeram também, as que eram raras, e sabe-se lá quantas outras não irão no embalo...  E nos sentiremos vazios. Como nunca nos sentimos. Mas por outro lado, abriremos espaço para receber novas gotas. E quem sabe, muito melhores do que as que se foram. Abriremos espaço... E o processo recomeça.
E se dói, é porque estamos vivos...
Não há como fugir.

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