Eu desci do ônibus e os meu cabelos voavam. O vento me recebia com um abraço apertado dizendo que me levaria pra casa. Logo as nuvens resolveram roubar a luz. O céu negro estendia-se. Enquanto eu caminhava, pequenas gotas me faziam companhia, e antes que eu pudesse perceber, já não eram gotas. Juntas, anunciavam um temporal. Se até as grandes copas balançavam em sinal de fragilidade, quem dirá a minha sombrinha, que a esta altura, já não cumpria o seu papel de me abrigar.
Mas, como a terra que recebe amigavelmente as águas celestiais, rendi-me. Deixei que as gotas se tornassem lágrimas ao escorrer pelo meu rosto. Deixei que o vento me causasse calafrios. Tornei-me parte deste fenômeno magnífico. E não me arrependi.
Ah se todos se permitissem raras e belas sensações como esta que senti ao voltar pra casa naquele dia. Ah se eles fossem menos ocupados com o carro que pode estragar, com o cabelo que vai encolher.. Ah se eles se preocupassem menos... Ah se eles vivessem! Saberiam que as gotas nos transcendem. Promovem um encontro com a nossa alma e a torna mais leve.
Ah se déssemos a vida e aos pequenos grandes milagres diários o valor que lhes é devido...
Descobriríamos o quanto perdemos ao nos levantar e não olhar pela janela, ao não contemplar as belezas que nos rodeiam e sequer notamos.
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Descobriríamos a nossa essência.
Humana, porém livre.
E nela, surpreendemente, encontraríamos o que tanto buscamos...
paz.!
2 comentários:
O que está transcendendo é o seu talento pra escrever!!!
Lindo!
Guilherme Ventura
...belas palavras! Parabéns! Tem um ano que nao entro nesse blog e talvez demorarei mais um pra entrar novamente, mas valew pelas palavras que li!! Beeijo!
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