quinta-feira, 31 de março de 2011

Na hora certa, mas cedo demais...

Eram exatamente 06:28 da manhã. O telefone tocou. Antes mesmo que eu pudesse levantar, ouvi o choro da minha mãe. Ali da minha cama mesmo, eu já sabia o que era. Os pensamentos por um momento fugiram da minha cabeça. Minha mãe abriu a porta e antes que ela abrisse os lábios eu mesma já tinha afirmado o fato. Ela chorava como se fosse o filho dela. Os pensamentos que tinham fugido da minha mente, agora vieram em bando. Não consegui assimiliar nada ( e ainda não consigo).

Mãe nenhuma nesse mundo está preparada para enterrar o próprio filho. Ser humano nenhum está preparado para enteder a morte de um jovem de 26 anos que era um amor de pessoa. A vida as vezes nos prega essas peças. Consome com a nossa alegria em instantes. Deixa um milhão de dúvidas no ar.

Nós não éramos assim tão próximos... A maioria de nossas conversas eram virtuais ou por telefone. Mas ainda assim eu podia sentir a alegria que era própria dele. Um menino que encantava a todos. E que agora, simplesmente já não pode fazê-lo. Não sei exatamente o que sinto... Na verdade ainda estou tentando assimiliar o que aconteceu. Me pergunto porque Deus permite que certas coisas aconteçam na vida de pessoas como ele, como a família dele. Mas logo percebo que tais questionamentos não cabem a mim... nem a ninguém. Então, me apego a certeza de que Ele sabe exatamente de todas as coisas que se passam nesse nosso mundo louco. E nada, absolutamente nada acontece sem um propósito. Confesso que as vezes eu mesmo me pego duvidando dessa verdade. Principalmente quando penso na mãe dele, que além de ter que absorver a idéia de que perdeu um filho, precisa arranjar forças pra não ter vontade de morrer também. Precisa de forças pra resolver as burocracias, pra receber as pessoas, atender os telefonemas e ainda ser mãe para os outros dois filhos. Parece ser mais do que uma simples mulher pode suportar. Porém, acho que mãe não é um ser humano qualquer. Elas tem um força incomum que ninguém jamais será capaz de compreender. E é por isso que eu sei, que algum dia, ela voltará a sorrir... ainda que carregue para sempre a imagem do filho e a dor que um dia sentiu.

Nunca gostei de velórios, enterros e coisas do tipo. Mas não sei porque, sinto uma necessida estranha em ir ao dele. Será, talvez, o primeiro que eu vá por vontade própria. Não sei qual será a minha reação e sei ainda menos o que dizer quando estiver lá. Tenho pra mim que não há palavra nesse mundo que conforte alguém em situações assim. Acho também, que a simples presença, por si só, já diz muita coisa. Já demonstra preocupação, afeto. Mostra que apesar do medo, do receio e tantos outros sentimentos estranhos que nos invadem nessas horas, você está ali. E isso já é o suficiente.

Seguirei o dia assim. Envolvida por uma tristeza que eu não sei medir e por sentimentos complexos demais para serem defeinidos. De alguma forma, tento preparar a minha mente para o que verei mais tarde. Sei que é em vão... Tentarei também enxergar as coisas sob uma outra perspectiva. Uma que seja mais serena e menos julgadora e revoltante. Seguirei pensando que pra Deus, ele se foi exatamente na hora certa. Mas para nós que ficamos, sempre terá sido cedo demais...



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(Sei que você está em lugar muito melhor do que este mundo injusto...)

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sexta-feira, 25 de março de 2011

25/03/2011 06h50  
Bebê espancado é internado em estado grave em Itaguaí, no RJ

25/03/2011 17h50  
Semana de protestos matou 55 na Síria, diz Anistia Internacional

25/03/2011 17h50 

Polícia prende padrasto suspeito de ter espancado bebê 

 

Japonês que matou 7 em ataque de fúria é condenado à forca

 

Empresário é preso suspeito de ajudar assaltantes de mansão em SP

 

 

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Notícias de um presente sombrio que anunciam um futuro assustador...

Como criar um filho para um mundo assim?

Se um dia eu precisar fazê-lo, desejarei imensamente que algo tenha mudado, caso contrário, precisarei desde cedo, implementar termos como morte, caráter, violência e preconceito no diálogo familiar.

 

Criança alguma merecia viver neste caus...

 

Mas já que é impossível impedir, eduquemo-as para trazer a paz.

 

 

terça-feira, 22 de março de 2011

.meu Deus pessoal.

"Nem olhos viram nem ouvidos ouviram / O que Deus preparou para nós / Um futuro certo, cheio de esperança e paz, muita paz / Quero viver teus sonhos teus planos / Tudo o que por mim conquistaste na cruz / A tua vontade é o meu prazer / Sem ti nada posso / Opera em mim o teu poder / Vê o fruto do teu penoso trabalho / Alegra-te sobre mim / É tão bom sonhar teus sonhos / É tão bom viver teus planos / E conhecer a graça de pertencer a ti / Deus fiel /É tão bom fechar meus olhos / E contemplar com minha fé / Todas as tuas palavras /Tuas promessas pra mim / Deus fiel"

Há muitos dias estou com essa música na cabeça. Ela me vem ao pensamento várias vezes... Neste exato momento, enquanto escrevos estas palvras, a escuto. Uma paz grandiosa me invade. Sou do tipo que gosta muito mais da letra do que da melodia... E cada verso dessa música me toca de uma maneira singular.
Ela me traz a memória momentos que me remetem a uma única certeza: Deus é fiel. E é um privilégio imensurável ser filha dEle. Muitas vezes não me dou conta da dimensão dessa verdade. Esqueço que ter experiências reais com o Pai não é algo comum à todos. E quando penso nisto, um sentimento de gratidão toma conta de mim. E eu simplesmente fecho os meus olhos e louvo ao Senhor por ter me escolhido para viver uma nova vida diante da Sua presença. 

Talvez a maioria das pessoas acredite em Deus ou tenha ouvido falar dEle. Mas poucos o conhecem na essência e sabem que a Sua natureza está além da criação, da trindade e demais coisas que as religiões pregam. Só quem tem um Deus pessoal sabe do que estou falando e entende que Ele está acima de toda religiosidade.

Viver com Deus é algo tremendo e inexplicável. E eu desejo que muitos ainda tenham a oportunidade de fazê-lo. Porque quando fazemos esta escolha, passamos a experimentar o sobrenatural do Senhor. Passamos a contemplá-lo sob outra perspectiva e começamos a enxergar a vida de um outro jeito. Costumo dizer que Deus abriu uma janela em mim. E dela, eu posso enxergar muito além do que os meus olhos humanos são capazes. Dessa janela eu vejo um céu imenso que me transmite a grandeza dAquele que o criou. Vejo que não importa quantos problemas ou dificuldades me assolem, na manhã seguinte, o sol estará lá, irradiando luz para os que a buscam. Por ela, eu reconheço os pequenos milagres que pincelam a minha vida todos os dias.

Não sei se saberia definir em palavras o que Deus significa em minha vida. Mas certamente Ele é mais, muito mais, do que qualquer definição que eu possa dar. Ele é a minha certeza de dias melhores, de um futuro cheio de promessas que Ele mesmo me fez. É o meu porto-seguro, meu melhor amigo. A minha única e verdadeira esperança quando nada vai bem. Ele é autor e consumador da minha fé, meu salvador. Minha fonte de inspiração e meu exemplo de amor incondicional. Perto dEle, me sinto pequena, porém especial e única. Sei que Ele me guarda e não importa quantas vezes eu erre ou o abandone, Ele me ama estará com os braços para me receber. E não foi ninguém quem me convenceu disso. Não foi a igreja, não foram os meus pais, nem a minha religião. As minhas experiências pessoais com Ele é que me permitiram conhecer o que ninguém pode explicar. Elas me fizeram ter uma visão sobre um Deus que é meu, mas que pode e deseja ansiosamente ser teu.

E não é preciso vê-lo. 
Eu o sinto
Ele vive em mim... e através dele eu sou capaz de grandes coisas!






sexta-feira, 4 de março de 2011

Além da parede de janelas..

Ao lado da minha mesa há uma parede de janelas. Um monte de quadradinhos que me permitem ver a vida lá fora. Mas por causa do ivento chamado insulfilm, o mundo lá fora nem de longe sabe o que se passa no mundo daqui de dentro. Daqui onde estou, é possível ver uma árvore bem de perto. Ela não é lá tão grande, tão pouco muito frondosa. Mas é a casa de alguém. Há algumas semanas um filhote de pombo nasceu bem ali, no seu ninho aconchegante feito em um galho firme. Quando eu vim pra cá, ele já estava grandinho mas ainda era um bebê. Todos os dias ele passava horas sozinho. Ficava parado e nada mais. Nenhum movimento incomum. Ao final de todas as tardes, a mãe trazia em seu bico o alimento tão esperado. Depositava na boca do filhote, que parecia imensamente grato. Essa era a rotina dele. Aliás, essa era a vida dele. Acordar num ninho de gravetos, ficar imóvel e solitário por horas, se alimentar do bico da mãe e voltar a ficar imóvel para poder acordar no dia seguinte.

Daqui de dentro, isso era tudo o que eu via. Vez ou outra me aproximava mais da janela pra ter certeza de que não havia perdido algum detalhe importante da rotina daquele filhote. Mas nada acontecia. Enquanto isso, eu ficava a pensar um mundo de coisas. Achava a vida daquele pombo sem graça e entediante. Achava a mãe dele uma desnaturada. Afinal, que mãe larga o filho sozinho por horas a fio?! No frio, na chuva, no calor, sem saber ao menos se ele ainda estará vivo quando ela voltar? Era o que eu pensava a respeito daquele ser que, nem de longe sabia sobre mim, muito menos que eu, daqui de dentro, especulava coisas sobre o seu modo de viver.

Um certo dia, cheguei e uma colega de trabalho comentou:"Olha ele está tentando voar!". Rapidamente olhei pela janela e lá estava o pequeno pombo a bater suas asas. As batia com força e vontade, mas não saía do lugar. Isso se tornou um hobby pra ele. Todos os dias o pombo que agora já não era tão bebê, repetia o exercício de bater asas. Pra mim, mais pareciam polichinelos, pois ele não se movia um centímetro sequer. Mas, foi exatamente aí que as minhas especulações começaram a mudar. Percebi que estava equivocada sobre o modo de vida daquela criatura. Sem graça e entendiante eram adjetivos que não o definiam.

Além da parede de janelas, um processo magnifíco se desenrolava. Era a mágica da vida acontecendo. Aquela mãe, antes mesmo que eu pudesse contemplá-la, teve um imenso trabalho em construir um ninho seguro para a nova vida que colocaria no mundo. Ela teve o imenso cuidado, em aquecer o seu ovo cuidadosa e pacientemente, sabendo que, a qualquer momento, ele poderia cair e se quebrar. Mas ela não desistiu. E então, o pequeno pombo que hoje vejo, nasceu. E daí, a mãe começou uma maratona em busca de alimento. Aquela criatura dependia dela. Se ela não o deixasse sozinho no ninho, correndo o risco de ser devorado por outro bicho, ela correria o risco de deixá-lo morrer de fome sob as suas asas. Perecebi que era uma árdua, porém necessária escolha deixá-lo no frio, na chuva ou no calor, sem saber ao menos se ele ainda estará vivo quando ela voltasse.

Enquanto ela não estava no ninho, provavelmente um milhão de coisas passavam pela cabecinha do pequeno filhote. No decorrer dos dias, ele precisava tomar coragem para enfrentar os desafios que a vida lhe impunha. Um belo dia, a sua mãe podia não voltar. E aí como seria?! Sem saber o que fazer, ele ficava ali parado. Observando o lugar onde vivia. Bolando uma estratégia de sobrevivência. E um dia, por instinto ou sei lá o que, começou a bater as asas. E percebeu que podia fazer algo por si mesmo, algo poderoso mas desconhecido. Ao fim  de uma tarde, a mãe não estava ali para alimentá-lo. E no desespero, ele precisou se decidir. E a opção foi a mais honrosa de todas. Num subto bater de asas, pela primeira vez o pombo se moveu. As garras se soltaram do galho e ele alçou vôo rumo ao céu. E lá ele descobriu a liberdade. Foi viver num mundo diferente do que ele conhecia, diferente do que era possível ver pela minha parede de janelas. Um mundo que agora era só dele e de mais ninguém.

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Queria muito acabar o texto aí, mas deixaira em mim a sensação de estar entalada... Então, para que as palavras se desenrolem e não façam nó na minha garganta, preciso dizer que a vida do pombinho muito se parece com a de nós humanos. Nascemos dependentes de um outro ser para nos alimentar e proteger. Passamos algum tempo ali, sem nos mover e poder fazer algo novo. Não porque não podemos, mas porque ainda não sabemos fazê-lo. Aos poucos, nos desprendemos daquele ser tão importante. Precisamos arriscar e aprender por nós mesmos o dom da sobrevivência. No desenrolar da coisa, nem nos damos conta de que, em algum lugar, alguém nos observa por uma janela. Especula sobre nossas atitudes, ações e reações.

E assim como aquele filhote, as vezes é necessário passar por grande dificuldade para descobrir o nosso potencial. Na verdade, pássaros nascem com o dom de voar, mas só o descobrem quando tomam a decisão de sair do ninho. Nós somos assim. Nascemos com aptidões e dons incríveis, que passam anos enterrados porque jamais tivemos a ousadia de descobri-los. E enquanto isso, pessoas nos julgam como fracos e algo desconhecido porém libertador nos aguarda.

Hoje, passo os dias a viajar dentro de mim mesma. A explorar essas coisas que me são inertes e eu nem sabia. Passo a brincar de caça ao tesouro. Porque sei, que quando encontrá-lo, serei capaz de alcançar tudo o que eu quero. Poderei conquistar um mundo além do que os meus olhos e limitações me permitem enxergar.

Irei tão longe que me surpreenderei ao ver, que bastava sair do ninho, para saber que posso voar.

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