Qualquer pessoa normal e antenada às notícias atuais provavelmente, neste exato momento,me julga como louca e desinformada só pelo título. Não, eu não sou louca (não esse tipo que você está pensando) e sim, eu leio jornais diariamente.
Domingo, 21 de novembro. Seis homens armados de fuzis incendiaram dois carros na Linha Vermelha, no início da tarde. Os criminosos ainda dispararam várias vezes contra um carro da Aeronáutica. Ninguém se feriu... Não naquele dia. Uma onda de violência estava por vir. O primeiro incêndio era só um aviso. A cidade maravilhosa entraria em guerra. A ficção saltou das telas para as ruas. É mais do que real, é surreal.
'PF reforça Bope na patrulha do Alemão e da Vila Cruzeiro','Bope prepara nova ação na vila Cruzeiro', 'FHC defende política de enfrentamento ao tráfico no Rio', 'PM do Rio confirma mais um ataque na madrugada desta sexta'. Estas são apenas algumas manchetes, de apenas um jornal, apenas desta manhã. Apenas uma "degustação" do que temos visto, ouvido e lido nestes dias que entrarão para a história do Rio de Janeiro. Nunca houve uma operação militar tão grande como esta. Desta vez os bandidos não estão brincando. E as forças armadas sabem disso.
Em uma semana, o Rio tornou-se notícia internacional e alcançou seu lugar nos Trends Topics. Não se fala em outra coisa. O mundo todo tem acompanhado o terror que se alastra por lá. Mas o que realmente desperta o interesse das pessoas, da policía e da imprensa? O tráfico? Os bandidos? O drama que aquelas pessoas estão vivendo? A coisa toda? Ou será só sensacionalismo barato? Afinal, tráfico e bandidagem não são novidades pra ninguém. Tão pouco a Rocinha se tornou a maior favela da América Latina da noite pro
dia. A verdade é que, se não tiver sangue no asfalto e carro pegando fogo duas, três vezes ao dia, é acidente do cotidiano. E se é do cotidiano não chama atenção da polícia, muito menos do governo.
O que acontece no Rio hoje, é reflexo de anos de um governo corrupto e alienado. Eu não era nascida no governo de Leonel Brizola (1983-1987) mas a internet me permite pesquisar sobre ele. E com certeza há quem se lembre dos (mal) feitos dele enquanto esteve no comando. A capital fluminense era marcada pela relação desumana entre policiais e moradores da favela. O detalhe é que nessa época, apesar do terror que os policiais faziam no morro, eles entravam na favela pra prender bandido e não gente inocente. Porém esta não era a visão de Brizola, que encarava a violência como mazela, fruto de desigualdades sociais que nada tinham haver com o governo. Se eu existisse, lembraria à ele de uma pequena coisa: desigualde social é resultado de um sistema econômico precário, administrado por pessoas diretamente ligadas ao governo. Mas eu nem ninguém teve coragem de dizer a verdade. Brizola reprimiu a ação da polícia na favela e concentrou-se na segurança burguesa. Cá pra nós, quem anda de carro blindado e três seguranças, não precisa de escolta policial.
Sem policial pra invadir o morro e efetuar prisões, os bandidos sentiram-se donos do pedaço. Sempre foi assim. Quando o gato sai, o rato faz a festa. Medidas como esta, deram chance para o tráfico atingir proporções que mais tarde seriam incontroláveis. Não estou dizendo que o Brizola tem culpa do caus que assola o Rio. O pobre coitado errou, mas não precisa ser crucificado. Ele abriu as portas, mas governos posteriores poderiam fechá-las. Mas não fizeram. Hoje, o Brasil faz parte de uma rede de tráfico internacional. Os peixes grandes lá de fora encontraram aqui facilidade pra atingir lucro fácil e prosperar o negócio: aviãozinho, vendedores e uma rota de saída fácil. O circo estava armado.
O tempo passou, a violência e o tráfico cresceram. O perfil do mundo das drogas mudou. Hoje não é só culpa do governo. É um problema muito maior. É uma teia imensa, na qual o sistema político vigente tornou-se só mais um fio no emaranhado. Fio importante, mas não crucial. As favelas estão lotadas de quadrilha com um armamento tão pesado, que se bobiar nem o exército tem. De onde elas vem? Outro fio no emaranhado. Os traficantes ganham cada vez mais dinheiro com a venda de drogas, se não fosse assim, eles já teriam arrumado outro meio de sobreviver. O que confirma que, o ramo dá lucro. E o dinheiro que financia esse negócio todo, vem da mão de muito pivete que assalta pra se drograr. Mas a maior parte dele, vem do bolso de muito playbozinho politicamente correto que anda por aí bancando de bom moço. Vem da maleta de muito cara engravatado que se acha melhor do que os outros. Eles não deixam a coisa toda acabar. E depois vem dizer que bandido e traficante devia morrer. No fundo, não é o que eles querem. Se o tráfico acabar, quem é que vai promover as viagenzinhas e alucinações que eles tantam gostam?
Esta é a realidade. O que tá no noticiário é reflexo de uma sociedade doente. Alienada de princípios e valores fundamentais. A culpa é minha e sua que se cala toda vez que o assunto vem à tona. É da população fluminense que só olha pro próprio umbigo. Nós somos co-autores dessa tragédia. A diferença é que nós assistimos pela tela da TV e eles pela janela do quarto. Quanto vale o drama dessas pessoas? Quantos mais precisam morrer?
O fantasma que assombra que assombra o Rio, algemas, armas ou carros blindados não podem deter. Não se aprisiona ou mata o caráter de ninguém. Pessoas que promovem o horror que temos visto nesta semana não são como nós. Elas já perderam a capacidade de sentir, a vontade de viver. As atitudes mostradas, são reflexo do que há dentro delas. Nós criamos isto. Uma sociedade egoísta e hipócrita. Sem condições de sobrevivência, sem dignidade. Geramos pessoas capazes de tudo, absolutamente tudo por muito pouco. Eles estão em guerra, mas não sabem ao certo contra o que ou quem. Enquanto isso pessoas morrem.
As vezes tenho contade de não ver mais jornal pra sentir-me menos culpada e com menos vergonha do país em que vivo. Aqui, é a prova viva de uma frase que diz que "para o triunfo do mal, basta que o bem não faça nada". Ou se fazemos, ainda é pouco. Não foi o suficiente pra acabar com este episódio que se arrasta há anos pela história do Brasil. Entra e sai governo e nada muda. Aliás, o que muda é o tamanho da (perdoem a palavra) merda que fica pra limpar. Ninguém age de forma coerente e sensata. A moda é fechar os olhos, cruzar os braços e empurrar o que der com a barriga.
Mas, sim, o Rio de Janeiro continua lindo. As praias e as cariocas bronzeadas continuam lá. O corcovado, o arpoador e o Pão-de-Açúcar ainda estão entre os pontos mais visitados do Brasil. O Cristo ainda é uma das sete maravilhas do mundo moderno. O que falta, é estender tamanha beleza à alma das pessoas. Daqueles que se dizem humanos e fazem guerra com as próprias mãos.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
.Gotas que trasncendem..
Eu desci do ônibus e os meu cabelos voavam. O vento me recebia com um abraço apertado dizendo que me levaria pra casa. Logo as nuvens resolveram roubar a luz. O céu negro estendia-se. Enquanto eu caminhava, pequenas gotas me faziam companhia, e antes que eu pudesse perceber, já não eram gotas. Juntas, anunciavam um temporal. Se até as grandes copas balançavam em sinal de fragilidade, quem dirá a minha sombrinha, que a esta altura, já não cumpria o seu papel de me abrigar.
Mas, como a terra que recebe amigavelmente as águas celestiais, rendi-me. Deixei que as gotas se tornassem lágrimas ao escorrer pelo meu rosto. Deixei que o vento me causasse calafrios. Tornei-me parte deste fenômeno magnífico. E não me arrependi.
Ah se todos se permitissem raras e belas sensações como esta que senti ao voltar pra casa naquele dia. Ah se eles fossem menos ocupados com o carro que pode estragar, com o cabelo que vai encolher.. Ah se eles se preocupassem menos... Ah se eles vivessem! Saberiam que as gotas nos transcendem. Promovem um encontro com a nossa alma e a torna mais leve.
Ah se déssemos a vida e aos pequenos grandes milagres diários o valor que lhes é devido...
Descobriríamos o quanto perdemos ao nos levantar e não olhar pela janela, ao não contemplar as belezas que nos rodeiam e sequer notamos.
.
Descobriríamos a nossa essência.
Humana, porém livre.
E nela, surpreendemente, encontraríamos o que tanto buscamos...
paz.!
Mas, como a terra que recebe amigavelmente as águas celestiais, rendi-me. Deixei que as gotas se tornassem lágrimas ao escorrer pelo meu rosto. Deixei que o vento me causasse calafrios. Tornei-me parte deste fenômeno magnífico. E não me arrependi.
Ah se todos se permitissem raras e belas sensações como esta que senti ao voltar pra casa naquele dia. Ah se eles fossem menos ocupados com o carro que pode estragar, com o cabelo que vai encolher.. Ah se eles se preocupassem menos... Ah se eles vivessem! Saberiam que as gotas nos transcendem. Promovem um encontro com a nossa alma e a torna mais leve.
Ah se déssemos a vida e aos pequenos grandes milagres diários o valor que lhes é devido...
Descobriríamos o quanto perdemos ao nos levantar e não olhar pela janela, ao não contemplar as belezas que nos rodeiam e sequer notamos.
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Descobriríamos a nossa essência.
Humana, porém livre.
E nela, surpreendemente, encontraríamos o que tanto buscamos...
paz.!
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Missing.!
...
Não vou dizer que é falta de tempo, pois estaria enganando a mim mesma. Porque na verdade, sempre damos um jeitinho pra fazer aquilo que realmente importa. Porém, a verdade, é que, na prática não é bem assim.
De jeito algum quis insinuar que escrever não me importa. Pelo contrário..! Como eu sinto falta das palavras! Aquelas que vinham em minha mente toda vez que eu me distraía. Que saltavam quando algo me deixava feliz ou me incomodavam quando algo não ia bem. Elas costumavam me visitar com uma frequência muito maior do que agora. Talvez por tantas vezes acharem as portas do meu consciente fechadas, elas se cansaram. A rotina as vezes me deixa fora do ar. Não consigo pensar. Fico atônita com tudo a minha volta. Algo em mim me impede de expressar alquilo que realmente vivo...
Bom e pra não ser prisioneira de mim mesma, retorno ao blog. Ao meu refúgio "particular". Infelizmente a agenda que eu costumava andar não pode acompanhar-me o tempo todo. Cedo à tecnologia. O digitar também consegue dizer o que eu preciso. Espero vencer essa barreira que outrora me afastava da minha paixão.
Quero encantar-me novamente pela sutileza das palavras. Redescobrir o quanto é bom expressar-me, falar do que vivo, do mundo, das tragédias e milagres.
Espero me sentir mais viva..!
Não vou dizer que é falta de tempo, pois estaria enganando a mim mesma. Porque na verdade, sempre damos um jeitinho pra fazer aquilo que realmente importa. Porém, a verdade, é que, na prática não é bem assim.
De jeito algum quis insinuar que escrever não me importa. Pelo contrário..! Como eu sinto falta das palavras! Aquelas que vinham em minha mente toda vez que eu me distraía. Que saltavam quando algo me deixava feliz ou me incomodavam quando algo não ia bem. Elas costumavam me visitar com uma frequência muito maior do que agora. Talvez por tantas vezes acharem as portas do meu consciente fechadas, elas se cansaram. A rotina as vezes me deixa fora do ar. Não consigo pensar. Fico atônita com tudo a minha volta. Algo em mim me impede de expressar alquilo que realmente vivo...
Bom e pra não ser prisioneira de mim mesma, retorno ao blog. Ao meu refúgio "particular". Infelizmente a agenda que eu costumava andar não pode acompanhar-me o tempo todo. Cedo à tecnologia. O digitar também consegue dizer o que eu preciso. Espero vencer essa barreira que outrora me afastava da minha paixão.
Quero encantar-me novamente pela sutileza das palavras. Redescobrir o quanto é bom expressar-me, falar do que vivo, do mundo, das tragédias e milagres.
Espero me sentir mais viva..!
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