Bonecas na casinha. Bolinhas de gude espalhadas pelo tapete. No chão, próximo a lareira, o livro repousa aos pés da velha cadeira de balanço. É tarde. Mas pode-se ouvir o canto das cirandas nas ruas. Elas brincam como se fosse dia... Talvez seja. Dia e noite só são separados pela luz, que, nessa hora, tira uma soneca. Entre o calçamento, ramos viram bandeiras, e chinelos são limites. A calçada é banco de praça. O poste luz de abajour. E os contos, são memórias e lembranças de dias felizes. Elas retornam. O coração palpita indicando cansaço. Os olhinhos quase fechando dizem que é hora de dormir. Em casa, os pés sujos não incomodam. São a certeza da inocência.
O dia espreguiça. O sol manhoso mostra os seus primeiros raios, que logo se encolhem. Onde estão os gritos de euforia?! As bolas rolando, as bonecas de pano, os pequenos ladrões de fruta do pomar do vizinho?! Onde estão?!
Nas páginas do livro, que um dia esqueceram perto da lareira... Hoje são apenas hsitórias. É possível ver lágrimas que não cessam na face do grande astro, que agora torna-se pequeno diante desse mosntro chamado progresso. Ele veio disfarçado de Chapeuzinho.. Mas era o lobo mau. Seduziu as crianças com jogos, vícios e tecnologias baratas.Ele mentiu. Disse que assim elas seriam mais realizadas. Mas esqueceu de contar que seriam menos felizes...
Eram só crianças. Mentes que ainda acreditavam em contos de fadas e papai Noel. Ele roubou a magia. O encanto de toda uma fase. Em algum do lugar do caminho, elas se perderam. E não havia migalhas no chão para que pudessem voltar. Estavam aprisionadas a esse presente inóspito e assustador. Elas estavam com medo. Mas aos poucos, tiveram que aprender a viver no novo mundo. E agora, não conseguem sair dele. Sentem-se dependentes do consumismo, dos relacionamentos a distancia, do caro e do novo. E sem perceber, tornam-se cada vez menos humanas, menos crianças...
Hoje elas desejam ter adrentado nesse paraíso muito antes...
E eu desejaria ardentemente que elas nunca tivessem saído da terra do Nunca.
..O mundo consome o que temos de melhor. Mente brilhantes, livres. Que seriam capazes de conquistar o mundo, se não roubassem delas, a inocência. São as únicas capazes de despertar sorrisos sinceros, amor, carinho, sem o minímo de esforço. Flores em meio a guerra. Flores que aos poucos murcham.. perdem a cor e o cheiro. Esquecemos de cuidar do jardim... e ele grita por socorro (ele está morrendo) .
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Sem flores, não há borboletas.
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Um comentário:
Ow, dessa vez vai ser difícil não ser grosseiro no elogio, vai ser dificil usar poesia o algo do tipo para demonstrar meu espanto.
Você não pode ser aquela minha prima, que teoricamente é intitulada adolescente. Muito bom, muito mesmo, suas palavras hoje são fontes de inspiração para minha vida, pode ter certeza disso, sem hipocrisia.
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